domingo, 8 de maio de 2016

Tchau! — A interjeição que ia e vinha

De 1880 a 1930 tivemos o período mais intenso de imigração italiana no Brasil. Foi nesse momento que começamos a usar a interjeição "tchau", do ciao lombardo e do ciau piemontês, saudação informal tanto para o início de um encontro como para a despedida. Ou seja, "tchau" equivaleria a um "olá" de quem chega e a um "adeus" de quem se vai.
Esta saudação italiana é abreviação de schiavo ("escravo"), que provém de sclavus (latim medieval). Um hábito europeu muito antigo era o de cumprimentar alguém, dizendo: "seu obediente servo", "seu escravo". Um gesto de cortesia hiperbólica equivalente à nossa fórmula "seu criado". A pessoa se apresenta a outra, inclina de leve a cabeça, talvez, e diz: "Sou Gabriel, seu criado". A expressão "Servus!", como cumprimento, pode ser encontrada até hoje em regiões da Áustria, Alemanha, Eslovênia e outras da Europa central.

Atualmente, o nosso "tchau" perdeu até mesmo a sombra deste significado. Não é mais uma forma polida de colocar-se à disposição para ajudar o outro. Tornou-se um cumprimento de despedida exclusivamente. Podendo, no diminutivo, "tchauzinho", indicar um aceno sem maiores compromissos.

2 comentários:

Lúcia disse...

Professor,quero aproveitar este espaço para fazer uma pergunta: qual a origem da palavra curiosidade. Li a pouco tempo a Questão 166 de São Tomás de Aquino que fala sobre a estudiosidade e fiquei curiosa com a palavra.
Parabéns pelo blog. Seu livro Introdução à Filosofia da Educação me ajudou muito no meu TCC.

Touché Lopes disse...

Muito interessante,como sempre,suas informações. Temos o péssimo hábito de utilizarmos as palavras sem maiores consequências,sem saber o que realmente significam. Tô sempre de olho no seu blog. Um abraço, professor;;