sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O mistério etimológico da religião

Nova consulta: "Professor, de onde vem 'religião'? A ideia é a de religar (o homem a Deus)? Obrigado, desde já!"

A etimologia popular atribui a origem da palavra "religião" a religare, do latim: a religião religaria o homem a Deus. Uma ideia bonita... mas sem fundamento. Etimologia falsa, embora cheia de boas intenções.

No latim, religio designava "respeito", "reverência". A palavra deriva de relegere, em que re-, "de novo", está associado ao verbo legere, "ler", abrigando o sentido de "tomar com atenção". Uma pessoa vive a religião quando, uma e outra vez, cuida escrupulosamente de algo muito importante, algo que deve ser cultuado.


Em sua origem latina, "religião" não é palavra religiosa, não remete ao transcendente, como quando falamos do ponto de vista do cristianismo, do judaísmo ou do islamismo. A religio romana referia-se à atitude de reverência que um cidadão romano tinha pelas instituições do Império.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que professa o professor?

Nova consulta da leitora Maria Lídia: "Estou adorando este site e até abusando... poderia me explicar a palavra 'professor'? Não seria melhor 'ensinador', 'educador'? Obrigada."

Prezada Maria Lídia, vamos até o latim professor, indicando pessoa que professa, que declara (fateri) diante de todos (pro-) ser expert em algum saber. Ora, acreditamos que quem sabe pode, em princípio, ensinar a quem não sabe. Embora se diga, em tom de brincadeira, que quem sabe faz e quem não sabe... ensina.
Os professores professam, confessam saber algo, e afirmam saber ensinar. A palavra "ensinador" não está dicionarizada, mas poderia estar. Quem ensina
sabe assinalar (lembrando *insignare, do latim vulgar) algo, mostrar algo com clareza, enfatizar.
O educador, por sua vez, é quem alimenta, orienta, prepara. No latim clássico, educator forma-se com a partícula ex- e o verbo ducare: "conduzir para fora", admitindo-se que seja um conduzir a pessoa para fora de si mesma (abertura para o mundo) ou para fora do reduto familiar (descoberta de outros âmbitos da vida social).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vai de vaia

Um amigo me contou ter ouvido algumas pessoas dizerem que a frase "Quem tem boca vai a Roma" na verdade é "Quem tem boca vaia Roma". Estava meio perplexo e queria saber se "vai a" é mesmo "vaia".

Talvez haja aqui uma motivação anticlerical, se Roma estiver identificada com o Vaticano. Ou se trata de uma brincadeira, um trocadilho. A mesma expressão em outros idiomas refere-se à ideia de que chegará a Roma, ou a qualquer lugar do mundo, quem souber se comunicar. No século XIII, em francês, se dizia "Qui langue a, à Rome va". Quem tem boca, quem tem língua chega lá.

"Vaia" vem do espanhol vaya e/ou do francês baie. Em ambos os casos seria decorrência de uma interjeição de surpresa misturada com desaprovação. A expressão "bah" estaria próxima disso. Vaiar, manifestar insatisfação com a voz. Parentes da vaia são os apupos e assobios, com diferentes intenções de zombaria e reprovação.

domingo, 12 de setembro de 2010

Casa para quem casa

Um leitor escreve: "Professor, gostaria de conhecer melhor a origem de algumas palavras (não afins). São elas: 'irmão', 'casamento', 'paraninfo' e 'estudar'. Grato pela ajuda!"

Meu caro, vimos a origem da palavra "irmão". Agora, a palavra "casamento".
Procede do latim casa, "choupana", "pequena propriedade". Acrescentando-se a partícula -mentu (do latim vulgar) forma-se o substantivo, que surgiu no século X. Duas funções importantes da casa: proteger seus habitantes da inclemência do frio e dos incômodos do calor.

O casamento, no sentido etimológico, é um "lugar" caloroso, para nos proteger do frio da solidão, e arejado, para nos abrigar do fogo das dificuldades.

sábado, 11 de setembro de 2010

Irmão de verdade

Um leitor escreve: "Professor, gostaria de conhecer melhor a origem de algumas palavras (não afins). São elas: 'irmão', 'casamento', 'paraninfo' e 'estudar'. Grato pela ajuda!"

Prezado, para que a postagem não se disperse, comecemos com a palavra "irmão". Futuramente voltarei às outras.

No latim havia o adjetivo germanus, "autêntico", "natural", em relação com a noção de "origem". Pensemos na palavra "germe", momento inicial de um organismo.

A expressão latina frater germanus significava "irmão legítimo", nascido dos mesmos pais. O termo germanus sozinho passou a designar "irmão". Houve uma passagem de iermano (século IX), para a forma *ermão e, finalmente, a atual "irmão".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Síndrome de Williams

Existem muitas síndromes por conhecer, e conhecê-las é fundamental para que a medicina e a educação ajudem seus portadores a viverem melhor. Uma delas, a Síndrome de Williams, descrita pela primeira vez em 1961, quase meio século depois ainda não é facilmente diagnosticada.

A palavra grega syndromos era, literalmente, "com" (syn) "correr" (dromos), "correr conjuntamente". Uma síndrome, conceito adotado pela ciência a partir do século XVI, indica a ocorrência concomitante de vários sintomas.

Voltando à Síndrome de Williams, procure informar-se. Pode haver alguém perto de você necessitando de orientação:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

As raízes do entusiasmo

Um leitor escreve: "Professor, se possível, comente sobre a origem da palavra 'entusiasmo'... Grato!"

Prezado, em grego, enthousiasmos significa "possessão divina". Os antigos gregos assim chamavam o estado de ânimo do sacerdote durante seu contato com a divindade. Inspirado pelo poder do alto, o homem se sente invadido pela força sobrenatural.

O entusiasmo consiste, portanto, em abrigar um deus dentro de si. O termo grego é composto por en ("dentro") + theos ("deus"), mais a terminação "asmos", presente em outras palavras como "marasmo" e "pleonasmo".

O estado de exaltação do poeta ou do artista em seus momentos de intensa criatividade, seu arrebatamento, paixão e ardor também são fruto, segundo uma visão aberta ao transcendente, desse contato com o divino.


Hoje, ser um entusiasta perdeu a conotação sagrada. O entusiasmo está vinculado à animação, à motivação, à vontade de fazer alguma coisa.

domingo, 5 de setembro de 2010

Crise, hora de criticar

O leitor Ricardo Leite (São Vicente/SP) escreveu: "Olá! Sou leitor deste blog há pouco tempo, mas já sou um grande admirador deste seu trabalho. E ouso pedir que mate uma curiosidade recente minha. Gostaria de saber um pouco sobre o verbo "criticar", e as palavras relacionadas a ele. A palavra "crise" tem ligação com "criticar"? Quando usamos a expressão 'período crítico' nos referimos à crítica ou à crise? Desde já, obrigado!"

Prezado Ricardo, a palavra grega krisis reporta à ação de "separar", "distinguir" e "decidir". Estar em crise é ser chamado a fazer escolhas, que vão gerar mudanças e transformações.

A palavra "crítica" foi precedida pelo termo latino critica, "apreciação", "julgamento", adaptação do grego kritike. Criticar é praticar a arte de avaliar e julgar.

Ambos os termos se encontram em *krei-  (partícula do indo-europeu), "separar", "peneirar". Em seu núcleo, outras palavras esperavam o futuro: "critério", "crisol", "crivo"...

Um período de crise é um período crítico, ocasião propícia para exercitarmos a crítica, utilizando nossos melhores critérios, fazendo passar o que vemos e ouvimos pelo crivo da sabedoria.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Consulta familiar

Minha filha mais nova (8 anos), influenciada pela curiosidade etimológica, me pergunta qual a origem da palavra "academia". Está lendo o livro Academia de princesas, de Shannon Hale, e teve vontade de saber, comprovando tese aristotélica de que aprender é o que há de mais natural no ser humano.

A palavra remete ao grego Akademeia, local próximo a Atenas, no qual Platão instalou sua escola. O nome homenageia o herói Academo, que revelou a Castor e Pólux onde Teseu escondera Helena de Troia.

O nome do herói Academo compõe-se de heka, preposição indicando distanciamento, separação, e demos, "povo". Academo, portanto, significa "aquele que age longe do povo", ou seja, livremente, por sua própria iniciativa.

sábado, 28 de agosto de 2010

Cachimbando formiga

Escreveu-me um leitor de Santa Catarina: "Na minha infância, quando minha avó queria que eu deixasse de aborrecê-la, usava a seguinte expressão: 'Menino, vai cachimbar formiga.' Nunca vi tal expressão em nenhum escritor ou dicionário.Terá sido um neologismo da minha avó?"

Sua avó empregava uma frase popular que tem o mesmo sentido de outras como "vai pentear macaco", "vai dar rasteira em sapo", "vai lamber sabão com açúcar", "vai ver se eu estou na esquina", "vai chupar parafuso para ver se vira prego" ou "vai plantar batata no asfalto para ver se cresce".

É difícil conhecer a origem concreta dessas frases. Nasceram na prática oral do povo. Em todos os exemplos acima, o sentido é o mesmo. Para me ver livre de alguém, eu o mando fazer qualquer coisa, por inútil e absurda que seja, contanto que o faça bem longe de mim.


No caso específico do "cachimbar formiga", trata-se de ficar fumando cachimbo e jogando fumaça em direção das formigas, ou para o chão. Tarefa sem finalidade útil, mera distração.
Há uma conotação para "cachimbar": "ficar concentrado", "matutar", "meditar" (enquanto se fuma um cachimbo). Neste contexto, "cachimbar formiga" pode ter a ver com outra expressão
muito comum: "pensar na morte
da bezerra"...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pedágio e pé na estrada

Uma leitora deste blog quer saber a origem da palavra "pedágio".

No latim medieval, *pedaticum designava o "direito a colocar o pé", um direito pelo qual tinha de se pagar. Andando pela história, a palavra tornou-se pedaggio (italiano), pedatge (provençal) e péage (francês). O pedágio era cobrado sobre pessoas, animais ou mercadorias quando se precisava passar por determinada ponte, estrada ou porto.

Havia na antiguidade várias taxas específicas: saumaticum (sobre o transporte de mercadorias em animais de carga, em referência ao latim sagma, "albarda"), portaticum (taxa portuária), pontaticum (cobrada para atravessar uma ponte) e rotaticum (taxa sobre mercadorias transportadas em veículos de rodas).


A palavra "pedágio" remete ao latim pes, "pé". Em português, temos "peagem", registrada pelo dicionário mas fora de uso. O sentido primitivo foi esquecido e hoje a cobrança de pedágio é feita apenas sobre veículos motorizados. A rigor, deveríamos então falar em "motorágio"?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pior que tá não fica

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Tiririca é um palhaço que se lança, nestas eleições, como candidato a deputado federal. Seu nome vem do tupi tiri'rika, de tiri'ri, "arrastar-se", "alastrar-se". Trata-se de terrível erva daninha que cresce velozmente.

Aludindo aos danos irritantes que a erva tiririca causa às culturas, temos a expressão "ficar tiririca", isto é, "ficar furioso".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Há quem se jacte de rejeitar conjecturas...

"Li aqui que 'rejeição', 'jactância' e 'conjectura' provêm de jacere. Poderia explicitar ainda mais a relação? Nós, leitores, agradecemos. Vida longa ao blog!", Marcos (RJ).

Obrigado, Marcos!

Do latim rejectio, vem "rejeição", ação de "jogar" (jacere) fora. Mas não é um jogar qualquer. Por força do prefixo re, trata-se de jogar para trás, com desprezo.

Quando uma pessoa se jacta é porque ela própria se "lança" (de novo jacere) à frente dos outros. E o faz lançando palavras de autoelogio.

Fazer conjecturas é partir de evidências parciais, de alguns pressentimentos, e "arremessar" (jacere) numa discussão duas ou mais ideias como prováveis. É um pensar que suspeita e presume. A palavra vem do latim conjectura, em que está embutida, em virtude da preposição cum, a ação de "jogar duas coisas juntamente".

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O assunto da assunção

Recebi a seguinte mensagem: "Caro Gabriel, por acaso o 'assunto' de uma mensagem está relacionado a 'assunção'? Fui assolado pela dúvida ao ouvir sobre a Assunção de Nossa Senhora, quando se mencionou o fato de ela ter sido 'assunta' aos céus. Saudações, Evandro."

Meu caro Evandro, tudo bem? Sua intuição está correta.

Assunção da Virgem Maria
de Bartolomé Murillo (séc. XVII)
A palavra "assunção" provém do latim assumptio, "recebimento". No caso da devoção católica, indica que Maria é recebida no céu, elevada ao âmbito divino, plenamente assumida pela Santíssima Trindade. Tem a ver com o verbo latino assumere (ad + sumere), "tomar para si", "assumir".

No século XVI, o significado retórico se torna patente. O assunto (do latim assumptus, igualmente ligado ao assumere) é a matéria assumida por aquele que irá se manifestar, é a questão à qual se dará atenção especial.

domingo, 22 de agosto de 2010

O que há de substantivo em cada nome?

Um leitor deste blog escreveu: "Professor, de onde vem 'nome'? Poderia comentar ainda sobre a origem de 'substantivo'? Grato!"

O termo latino nomen era a palavra com que se podia designar uma pessoa ou coisa. A noção de reputação é antiga, mas só se firmou no século XIII. Já a ideia de que alguém tem nome porque é conhecido está registrada em contextos modernos, no início do século XX.

A palavra "substantivo" nos leva ao latim substantivus — remetendo ao que há de substancial e real em algo. O substantivo como categoria gramatical é contribuição dos franceses no século XIV. Antes disso, a palavra frequentava tratados metafísicos. Concretamente, substantia (sub, "sob", "no fundo de" + stare "estar", "ser") traduzia o termo grego hypostasis. Por substantia entendia-se uma entidade individual existente.

sábado, 21 de agosto de 2010

Vila Nhocuné, parece tupi... mas não é

Elis Marchioni, ao ler uma postagem deste blog, perguntou: "Olá, professor! A Vila Talarico fica pertinho da Vila Nhocuné. Este nome não parece ser de origem tupi? O que acha?"

Parece mesmo, Elis, mas não é. No século XIX, o Coronel Christalino Luiz da Silva Liberato Augusto de Azevedo era proprietário de uma grande fazenda de café. Essas terras, na região leste da cidade de São Paulo, foram sendo retalhadas até que, na década de 1930, o que era uma chácara transformou-se no bairro conhecido como Vila Nhocuné.

Essa palavra nasceu na boca dos escravos do "Senhor Coronel". Chamavam-no de "Sinhô Coroné" ou de "Nhô Coroné". Com o tempo, à força do uso: "Nhocuné".

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O lado bom da agressividade

Meu amigo Pedro Paulo Monteiro, pensador e escritor, me perguntou pelo Twitter qual a origem da palavra agressividade.

No latim, o verbo aggredi se enquadra num contexto de ação e movimento. O agressor é quem avança em direção a algo ou a alguém, com firme determinação. Poderia fazê-lo com ânimo hostil ou amigável, para atacar ou simplesmente para falar.

Havia o sentido de "pôr mãos à obra". O agressor, neste caso, usaria toda sua força, não com a finalidade de destruir, mas para empreender.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Achados e perdidos

Maria Lídia, leitora deste blog, gostaria de saber o porquê da expressão "achados e perdidos", ponderando que os perdidos não deveriam estar junto dos achados...

"Achar" provém do latim afflare, "soprar", "farejar", no contexto original dos caçadores que, pelo odor, iam em busca da caça. E "perder" também remete ao latim, ao verbo perdere, "dissipar", "destruir".

Uma seção de Achados e Perdidos no metrô, no aeroporto ou num prédio pode chamar a atenção de quem busca uma lógica: por que os perdidos estão ao lado dos achados? Bastaria criar uma seção de Objetos Perdidos, ou coisa parecida.

Outra pergunta: por que os perdidos vêm depois dos achados? Em inglês, a ordem é inversa. Fala-se nos EUA e Inglaterra num serviço de Lost & Found, pois primeiro a pessoa perde e depois tem de caçar até achar o que perdeu. Em Portugal, usa-se a ordem do inglês, Perdidos e Achados. Na França, há o Service des Objets Trouvés, com ênfase nos objetos encontrados, que certamente foram encontrados porque estavam perdidos...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

É pique! É pique! É hora! É hora! É hora! Rá-tim-bum!!!

Um leitor escreve:

"Sou um apaixonado por etimologia... e seu blog é, para mim, um grande achado... Qual a origem de 'rá-tim-bum'?"

Meu caro, "rá-ti-bum" parece reproduzir o som de instrumentos musicais em momentos festivos, em especial nas apresentações circenses. O "rá" seria da caixa, os pratos fariam o "tim", e o bumbo, o "bum". Foi incorporado às festas de aniversário como complemento ao "Parabéns pra você", depois de um animado "É pique! É pique! É hora! É hora! É hora!"

Há uma outra explicação, que inclui esse bordão "é pique, é pique, é hora, é hora". Tudo isso viria do ambiente estudantil da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, em São Paulo.

Naquele tempo, na década de 1930, "é pique, é pique" teria sido uma saudação jocosa ao estudante Ubirajara Martins, conhecido pelo apelido de "pique-pique", porque vivia aparando barba e bigode com uma tesourinha. O "é hora, é hora" teria sido um grito de guerra de botequim, criado pelos estudantes para pedir uma nova rodada de cerveja, depois de transcorrido o tempo suficiente para que a bebida gelasse em contato com as barras de gelo.

O "rá-tim-bum" (explicação meio bizarra...) teria sido uma referência a um certo rajá indiano chamado Timbum (ou coisa que o valha). O rajá, em visita à faculdade, virou motivo de outra brincadeira de botequim. Os alunos de Direito, lá reunidos, comemoravam fosse o que fosse gritando — "É pique-pique, pique-pique, é hora, é hora, é hora... rajá... tim... bum!".

Essa história um tanto mirabolante está documentada, porém, no Suplemento da prestigiosa Revista Pesquisa FAPESP n. 102, de agosto de 2004 (págs., 57-8), na matéria "O Brasil que as Arcadas vislumbraram", assinada por Fabrício Marques.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O luxo da luxúria

Um leitor deste blog quer saber a origem da palavra "luxúria", e outro, a da palavra "luxo".

A primeira vem do latim luxurìa, "superabundância",
"excesso", em conexão com o adjetivo luxus ("deslocado", "fora do normal", e no caso de "luxo" trata-se de um excesso de dinheiro, de bens materiais). Para que um mouse de diamante?

É possível que haja em ambos os casos uma relação com o verbo luctari, no contexto dos esportes violentos da antiguidade em que se tem a intenção de deslocar os membros do adversário. E o luxurioso, concretamente, vai longe demais e não se importa em destruir o outro.