
No latim, temos culpa, no sentido de "delito", "erro", "vício". Retrocendo um pouco mais, chegamos ao verbo grego keleuo, "impelir", "chamar", "pôr em movimento" — o erro como resultado de um impulso interior.
Este impulso é deliberado? Podemos controlá-lo? Os antigos rezavam, em latim, uma fórmula de confissão pública em que se diziam culpados por terem pecado "cogitatione, verbo, opere et omissione", por pensamentos, palavras, atos e omissões. A culpa, portanto, nasce de quatro fontes.
Temos controle sobre o que pensamos, falamos, fazemos... ou sobre o que deixamos de fazer?
Daí a importância da palavra "desculpar". Quem admite abertamente a culpa (própria ou alheia) pode empregar o prefixo "des-". Desculpar e desculpar-se é seguir o impulso contrário ao da culpa, o impulso que afasta o erro, em busca do acerto.
A culpa sem desculpa é peso insuportável. Para o culpado, sem dúvida, mas também para aquele que inculpa alguém.
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