A palavra "nada" não é nada simples. Provém de uma expressão latina medieval, "rem natam non fecit", "não fiz nada", em que o nada que não se fez no fundo seria alguma coisa...
Nada é uma "res nata", uma coisa nascida, uma coisa que aconteceu, que veio do nada e continua sendo um quase nada.
Para captar o nada, um vídeo da autoria de Ana Lasevicius, a partir da poesia de Manoel de Barros.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Idiota: xingamento ou elogio?
Comecei a reler, depois de duas décadas, O idiota, de Dostoiévski. O personagem é fascinante. Um autêntico idiota. Lembrando que a palavra remete ao grego idiotés, "indivíduo particular", do povo, em oposição ao aristrocrata, ser "superior" ao idiota, pois, ao contrário deste, encontra-se integrado a um grupo de elite.
Em grego, idios é "pessoal", algo que é próprio de alguém. "Idioma", por exemplo, é a língua própria de um povo. Em medicina, fala-se em "idiopatia", uma afecção que não decorre de outras, que existe por si só.
O idiota, portanto, é aquele que possui uma marca pessoal, que nasce a partir de si mesmo. Detém uma originalidade. É genuíno. Possui lá as suas idiossincrasias, suas características comportamentais peculiares.
Há muito de solidão e liberdade, beleza e dor num idiota. Por isso, talvez, ninguém goste de idiotices...
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domingo, 27 de junho de 2010
Para enfrentar o Chile
Prosseguindo as pesquisas futelinguísticas, em espírito de Copa do Mundo, chegou a hora do Chile, adversário com que jogaremos amanhã.
Não faltam versões sobre a origem da palavra "Chile".
Uma delas é do cronista espanhol do século XVIII, Diego de Rosales, segundo o qual existira no passado um chefe da região chamado Tili, e este nome passou a designar o próprio território. De Tili chegamos a Chile.
Outra teoria afirma que a explicação está na semelhança entre o vale do Aconcágua e o vale do Casma, no Peru. O nome de uma cidade peruana, Chili, daquela localidade viajou para o sul.
Há quem defenda outra teoria. Que "Chile" teria derivado de chilli, palavra do araucano (língua ameríndia), que significava "confins do mundo".
Outra teoria remete a cheele-cheele, som que imitaria, em araucano, o canto de um pássaro da região.
Mais uma teoria (ou lenda?). Haveria entre os antigos habitantes uma palavra para designar uma espécie de raposa — chilla.
Um país que dribla os etimólogos!
Não faltam versões sobre a origem da palavra "Chile".
Uma delas é do cronista espanhol do século XVIII, Diego de Rosales, segundo o qual existira no passado um chefe da região chamado Tili, e este nome passou a designar o próprio território. De Tili chegamos a Chile.
Outra teoria afirma que a explicação está na semelhança entre o vale do Aconcágua e o vale do Casma, no Peru. O nome de uma cidade peruana, Chili, daquela localidade viajou para o sul.
Há quem defenda outra teoria. Que "Chile" teria derivado de chilli, palavra do araucano (língua ameríndia), que significava "confins do mundo".
Outra teoria remete a cheele-cheele, som que imitaria, em araucano, o canto de um pássaro da região.
Mais uma teoria (ou lenda?). Haveria entre os antigos habitantes uma palavra para designar uma espécie de raposa — chilla.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Em que porto encontramos Portugal?
Hoje, Brasil e Portugal na Copa do Mundo. O registro mais antigo da palavra encontra-se num texto do século XI. Naquela altura, havia o condado de Portus Cale, que acabou substituindo o antigo nome latino com que se designava a região: Lusitania.
Este porto da cidade de Cale refere-se à palavra cale, "abrigo", de origem celta, que gerou outros dois topônimos: "Calábria" (Itália) e "Calais" (França).
Há quem defenda que Portus Cale é formado pelo latim portus, "porto", em associação ao grego kalós, "belo". Será belo o porto, em referência à cidade do Porto. O porto por excelência. Mas nada garante a veracidade dessa explicação etimológica. É uma bela fantasia... verdade geográfica e orgulho do povo lusitano!
sábado, 19 de junho de 2010
Agora é Costa do Marfim
Amanhã, pela Copa do Mundo, jogam Brasil e Costa do Marfim. A palavra "costa" provém do latim costa, "lado", mas também "costela". Estará o pais localizado numa das costelas do continente africano?
E "marfim" vem do árabe Hazm al-fíl, "osso do elefante", palavra que era escrita em língua portuguesa, no século XIV, de duas formas pelo menos: "almafi" e "marfil".
Sem pessimismo, mas falando apenas do ponto de vista etimológico, o jogo amanhã vai ser osso duro de roer... e dos grandes!
Sem pessimismo, mas falando apenas do ponto de vista etimológico, o jogo amanhã vai ser osso duro de roer... e dos grandes!
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Palavras e origens em podcast
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Este programa, concebido e produzido por minha esposa, Ana Lasevicius, está disponível aqui e no site da Rádio Brasil MPB.
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De onde vem a Coreia?
Hoje, primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Seu adversário é a Coreia do Norte. E de onde vem "Coreia"?
No século X, o líder guerreiro e político Wang Kong fundou a dinastia Koryo (que reinou de 918 a 1392), com autonomia perante a China, e inspirada pelos preceitos budistas e confucionistas.
A palavra era proveniente de uma tradição. Sendo província chinesa, muitos dos seus habitantes desejavam a soberania. Antes de Wang Kong, um líder da tribo dos Ut-Su, que vivia entre as montanhas e o mar, fundara o reino de Korai, no século II.
No século X, o líder guerreiro e político Wang Kong fundou a dinastia Koryo (que reinou de 918 a 1392), com autonomia perante a China, e inspirada pelos preceitos budistas e confucionistas.
A palavra era proveniente de uma tradição. Sendo província chinesa, muitos dos seus habitantes desejavam a soberania. Antes de Wang Kong, um líder da tribo dos Ut-Su, que vivia entre as montanhas e o mar, fundara o reino de Korai, no século II.
Entre as versões existentes para o significado da palavra, destacam-se "grande e belo" e "alto e claro", em referência às altas montanhas e ao céu claro, símbolos da liberdade.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Cardeais e cardinais
Cardeais e cardinais, as duas formas provêm do latim cardinalis, isto é, "principal", "essencial", em referência ao latim cardo, "dobradiça", "eixo", fundamental para uma porta ou uma máquina.
Os cardeais, que elegem o papa na Igreja católica, são chamados assim porque eram denominados antes episcopi cardinalis, ou seja, "bispos principais", pois eram os mais próximos de Roma.
E os números cardinais expressam quantidades absolutas, tidos como mais importantes, em comparação com os ordinais, multiplicativos e distributivos.
E os números cardinais expressam quantidades absolutas, tidos como mais importantes, em comparação com os ordinais, multiplicativos e distributivos.
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domingo, 13 de junho de 2010
Um intervalo para a interjeição!
Um visitante deste blog, Marcos, do Rio de Janeiro, perguntou de onde vem a palavra "interrogação". Provém do latim interjectio, "algo que se interpõe", "algo que é inserido entre duas coisas". O verbo latino intericere é formado por inter ("entre") e icere, que remete a jacere, "lançar".
A interjeição é algo que surge no meio da frase, um "ah!", um "oh!", para expressar alegria, admiração, consternação e outros sentimentos.
A interjeição é algo que surge no meio da frase, um "ah!", um "oh!", para expressar alegria, admiração, consternação e outros sentimentos.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Uma flor no campo...
Futebol é tema de todos os dias. A proximidade de mais uma Copa do Mundo faz as palavras relacionadas ao tema ganharem espaço redobrado.
A palavra "firula", entre muitas. Firula é aquela jogada bonita, mas sem objetivo prático. Fazer firula é "fazer bonito", é demonstrar virtuosismo com a bola... e mais nada.
Antes mesmo de pisar em campo, esta palavra já designava, em outras áreas, "floreio", "rodeio", "adornos retóricos", com o sentido de algo que fica só nisso. Provém de *felorete, que por sua vez nasceu de felor, do galego-português (Idade Média, a partir do século VIII), "flor". Antes, em latim, flos, floris.
As firulas são as pequenas flores, as florzinhas que, no discurso ou na hora do jogo, encantam a torcida, mas podem fenecer subitamente, deixando a todos com fome de gol.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Ver TV
Jackson, de Porto Alegre, perguntou a este blog a origem etimológica do verbo "assistir", no sentido de "ver" e "ouvir", como na frase "assisto à TV".
O verbo "assistir" remete ao latim adsistire, "parar", "estar presente". "sentar-se perto". Assistir alguém é acompanhar e, como sinal de presença ativa, prestar ajuda, se for necessário.
Assistir à TV, no entanto, é um estar presente passivo, em que basta olhar e acompanhar a sucessão de imagens.
O verbo "assistir" remete ao latim adsistire, "parar", "estar presente". "sentar-se perto". Assistir alguém é acompanhar e, como sinal de presença ativa, prestar ajuda, se for necessário.
Assistir à TV, no entanto, é um estar presente passivo, em que basta olhar e acompanhar a sucessão de imagens.
sábado, 5 de junho de 2010
A etimologia das eleições
Perguntaram-me a origem da palavra "eleições". Vem do latim, electìo, que significa "escolha". Eleger é escolher. Mas não uma escolha qualquer.
O electus, o escolhido, tem excelência, ou espera-se que tenha sido escolhido em razão de suas qualidades e para dar mostras dessas qualidades. Nas próximas eleições presidenciais, o povo brasileiro mais uma vez será chamado a escolher. Há quem diga que, diante das opções oferecidas, prefere não escolher.
Sabemos, contudo, que não escolher consiste em fazer uma escolha indireta. Não escolher, de fato, é um voto direto! Não querer eleger é contribuir para que alguém se eleja.
O electus, o escolhido, tem excelência, ou espera-se que tenha sido escolhido em razão de suas qualidades e para dar mostras dessas qualidades. Nas próximas eleições presidenciais, o povo brasileiro mais uma vez será chamado a escolher. Há quem diga que, diante das opções oferecidas, prefere não escolher.
Sabemos, contudo, que não escolher consiste em fazer uma escolha indireta. Não escolher, de fato, é um voto direto! Não querer eleger é contribuir para que alguém se eleja.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Cara e crachá!
Muito comum ver durante a semana, em plena rua, pessoas com seu cartão de identidade funcional pendurado ao peito. Ostentar o crachá lhes confere a certeza de que, mesmo depois do expediente, ou na hora do almoço, pertencem a uma empresa, a um grupo organizado.Provém do francês crachat, cujo primeiro significado é "escarrada", "cusparada". Por antífrase (uso da palavra em sentido contrário), associou-se o termo a "condecoração" e "medalha".
O sarcasmo (fruto da inveja?) está em que aquilo que deveria ser motivo de orgulho (modernamente, o crachá como homenagem da empresa ao funcionário) tem a ver com algum tipo de escracho. Embora eu já tenha ouvido gente dizendo que escrachado é quem esqueceu o crachá...
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Nietzsche gestor
E de onde vem a palavra "sucesso"? No latim successus, tínhamos já a noção de "bom resultado", mas há também o sentido daquilo que simplesmente vem depois, substituindo algo anterior. No verbo succedere, com sub ("depois de") + cedere ("vir", "mover"), observamos esse fato. Suceder como um vir depois. A noite sucede ao dia. E o sucessor é tão somente quem sucede a. Por exemplo, o herdeiro é sucessor. Em latim, havia a expressão successor amor, "um novo amor".Hoje parece que todo sucesso é positivo. Em outros tempos, podendo haver um mau sucesso, desejava-se a alguém "bom sucesso"! Há um município mineiro chamado Bom Sucesso, um bairro no Rio de Janeiro, Bonsucesso, e o time carioca Bonsucesso Futebol Clube.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Pesquisa de rua
Observar a rua, a realidade nua, a paisagem urbana. E ver a sua etimologia. Por exemplo, é comum encontrar pais carregando o filho no cangote. Hábito tolo e arriscado, no meu entender. Mas de onde vem a palavra "cangote"?
Por influência da palavra "canga", transformamos "cogote" (parte posterior da cabeça) em "cangote". E "cogote" nos remete ao aragonês cocote, ao asturiano cocorote e ao basco kokote, parentes do provençal cogot — todos nasceram do latim cucutiu, "touca".
Qualquer tecido que sirva de invólucro para a cabeça e desça pela nuca até o pescoço pode ser um cangote, um capuz, uma capa. Por inversão típica da linguagem, o cangote passou a ser essa região do corpo. A expressão "montar no cangote" significa dominar alguém.
Quando um pai coloca o seu fillho no cangote quer dar à criança o poder de estar sobre ele, sinalizando para os demais que seu filhote é importante. O perigo está em que a criança, por descuido, caia da cavalgadura.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Violência não... mas conflito sim
Violência e conflito pertencem ao mesmo campo semântico, mas tem suas diferenças. A etimologia pode ajudar a esclarecer semelhanças e enfatizar contrastes?
A palavra "violência" tem ligações perigosas com a palavra latina virtus, "força". A palavra "virtude" também está vinculada à força. Não se pode fazer o bem de maneira frouxa. Os antigos se referiam à violência do vento, do sol... como coisas naturais, embora muitas vezes terríveis.
A violência viola, agride, maltrata. Entre os homens, a violência é caminho torto para resolver conflitos, que sempre existem. A palavra remete a um choque (entre dois corpos, duas opiniões, duas forças). Não há história sem conflito. Não há romance, conto ou poesia sem conflito. Não há vida sem conflitos, internos e externos.
Esse entrechoque está presente no verbo latino fligere, "bater", "ferir". O conflito é inevitável, e pode tornar-se violência. A violência nasce do vazio. O conflito, da convivência. A sabedoria está em fazer dos conflitos ocasião de crescimento.

A palavra "violência" tem ligações perigosas com a palavra latina virtus, "força". A palavra "virtude" também está vinculada à força. Não se pode fazer o bem de maneira frouxa. Os antigos se referiam à violência do vento, do sol... como coisas naturais, embora muitas vezes terríveis.
A violência viola, agride, maltrata. Entre os homens, a violência é caminho torto para resolver conflitos, que sempre existem. A palavra remete a um choque (entre dois corpos, duas opiniões, duas forças). Não há história sem conflito. Não há romance, conto ou poesia sem conflito. Não há vida sem conflitos, internos e externos.
Esse entrechoque está presente no verbo latino fligere, "bater", "ferir". O conflito é inevitável, e pode tornar-se violência. A violência nasce do vazio. O conflito, da convivência. A sabedoria está em fazer dos conflitos ocasião de crescimento.
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terça-feira, 25 de maio de 2010
A viagem do líder
O líder, sendo líder de si mesmo, tem autoridade e carisma. Atrai e impulsiona. A palavra "líder" remete ao verbo inglês to lead, "guiar", "conduzir", conectado a ga-lidan, "viajar", do alto alemão antigo (ano 500 até 1050). O líder viaja à frente e, por isso, tem capacidade de ser mentor de outros viajantes.
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domingo, 23 de maio de 2010
Capa e palavra controvertidas
A capa da Revista Veja desta semana (edição 2166) traz o rosto de uma mulher acusada de torturar uma criança. Talvez o melhor fosse não mostrar esta senhora. Se ela for vítima de problemas psiquiátricos, não deveria ser exposta. Se ela for inocente (parece improvável...), um motivo a mais para não ser exposta. Se ela for conscientemente má, não deveria ser exposta e tornar a maldade atraente e "premiada".
A frase "A confissão da bruxa" confirma a condenação. Fogueira é o seu destino. E de onde vem a terrível palavra "bruxa"?
A origem é desconhecida, dizem alguns. Controvertida, dizem outros.
Uma hipótese é que proceda da palavra celta *ver-ouxa, "a que está muito alta", aludindo ao voo das bruxas, físico, ou à capacidade de voar mentalmente.
Outra hipótese: o latim vulgar *bruxu, "gafanhoto sem asas", um inseto feio e daninho. Mais tarde o termo teria sido aplicado ao demônio e aos hereges: "bruxos" e "bruxas".
Outra, bem curiosa: viria do basco buruz, traduzível pela expressão "de cabeça para baixo". Alguns etimólogos afirmam que dessa palavra veio o nosso "de bruços". Mas outros especulam que se refere às bruxas, cuja cabeça está escondida sob o capuz.
Outra possibilidade faz pensar que as bruxas, por saberem adivinhar coisas, por sua astúcia e sagacidade, têm a ver com a "bússola" (que adivinha o rumo), em consonância com o castelhano brújula.
Nada disso é certo, o que acentua o enigma!
A frase "A confissão da bruxa" confirma a condenação. Fogueira é o seu destino. E de onde vem a terrível palavra "bruxa"?
A origem é desconhecida, dizem alguns. Controvertida, dizem outros.
Uma hipótese é que proceda da palavra celta *ver-ouxa, "a que está muito alta", aludindo ao voo das bruxas, físico, ou à capacidade de voar mentalmente.
Outra hipótese: o latim vulgar *bruxu, "gafanhoto sem asas", um inseto feio e daninho. Mais tarde o termo teria sido aplicado ao demônio e aos hereges: "bruxos" e "bruxas".
Outra, bem curiosa: viria do basco buruz, traduzível pela expressão "de cabeça para baixo". Alguns etimólogos afirmam que dessa palavra veio o nosso "de bruços". Mas outros especulam que se refere às bruxas, cuja cabeça está escondida sob o capuz.
Outra possibilidade faz pensar que as bruxas, por saberem adivinhar coisas, por sua astúcia e sagacidade, têm a ver com a "bússola" (que adivinha o rumo), em consonância com o castelhano brújula.
Nada disso é certo, o que acentua o enigma!
sábado, 22 de maio de 2010
A liberdade do livro
O livro é uma das maiores invenções da humanidade. O vídeo mais abaixo o demonstra, ainda que faça alusão indireta a novas superações.
A palavra "livro" vem do latim liber, "casca" ou "entrecasca" de árvores. O etimólogo José Pedro Machado explica que liber se referia à parte da planta do papiro que era libertada. Faz sentido, portanto, dizer que o livro nasceu para libertar...
A palavra "livro" vem do latim liber, "casca" ou "entrecasca" de árvores. O etimólogo José Pedro Machado explica que liber se referia à parte da planta do papiro que era libertada. Faz sentido, portanto, dizer que o livro nasceu para libertar...
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Que seja deletado!
Recebi uma nova pergunta: de onde veio o verbo "deletar"? Pelo verbo inglês to delete, "apagar", "remover". Antes, no latim, o verbo delere, com os mesmos sentidos, remetendo também à ideia de "destruir".
Lembremos que no século II a.C., Catão personificava e intensificava, no Senado romano, o ódio contra os cartagineses. E ele repetia obsessivamente em seus discursos: "Delenda est Carthago!" — "Cartago seja destruída!"... como de fato foi. Deletada!
No campo da saúde, temos em francês délétère, referindo-se ao "que destrói a saúde". A palavra invadiu o campo da moral, e por isso o adjetivo "deletério" indica aquilo que conduz à imoralidade e à corrupção.
Lembremos que no século II a.C., Catão personificava e intensificava, no Senado romano, o ódio contra os cartagineses. E ele repetia obsessivamente em seus discursos: "Delenda est Carthago!" — "Cartago seja destruída!"... como de fato foi. Deletada!
No campo da saúde, temos em francês délétère, referindo-se ao "que destrói a saúde". A palavra invadiu o campo da moral, e por isso o adjetivo "deletério" indica aquilo que conduz à imoralidade e à corrupção.
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