quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O comerciante e suas mercadorias

Pelo formspring, recebi pergunta sobre a origem da palavra "comerciante".

No latim tardio, *commerciare designava a ação de negociar mercadorias. Remete ao latim clássico mercor, "adquirir por dinheiro", "negociar", relacionado a merx, "mercadoria". O mercenário é uma espécie de comerciante, por vender sua capacidade de lutar como mercadoria. Na mercearia, vendem-se mercadorias. O mercado é o espaço público em que se realizam atos de compra e venda.

Alguns etimólogos veem ligação de merx com o nome do deus romano Mercúrio, que protegia as relações comerciais e recebia especial devoção por parte dos comerciantes.

domingo, 28 de agosto de 2011

A maçã mordida

A Apple e sua marca estão em evidência. Um amigo perguntou-me sobre a origem da palavra inglesa e de "maçã".

A evolução da logomarca é conhecida. No início, a cena de Newton e sua maçã. Daí rapidamente passou-se para a maçã mordida, aludindo à curiosidade de Adão e Eva. O fruto do conhecimento e a tentação assumida.

A palavra apple, æppel no inglês medieval, significava originariamente qualquer tipo de fruto, e teria nascido de uma palavra proto-germânica (na pré-história das línguas germânicas e do inglês). O fruto proibido (ou appel of paradis) poderia ser a maçã, o figo, a banana ou outro.

E "maçã" remete ao latim mala matiana ("frutos de Matius"). Teria havido na antiga Roma (século I a.C.) um homem chamado Gaius Matius, estudioso da biologia, da agricultura e da gastronomia, a quem se atribui a produção de maçãs melhores a partir da técnica do enxerto.

Furacão da paz?

Notícias sobre o furação Irene chegam de hora em hora. Ele (ou ela) avança, provocando medo e causando estragos. Já passou por Porto Rico e pela República Dominicana, já chegou aos Estados Unidos, avança sobre Nova Iorque.

Chama a atenção, para a etimologia, o fato de "Irene" ser um nome cheio de paz. Vem do grego eirene, termo usado pelos tradutores bíblicos para a saudação hebraica shalom, "segurança", "bem-estar", "prosperidade", "tranquilidade".

O furacão Irene não tem desejos de paz, contrariando seu nome. Ou o batizado foi uma forma de pedir que os ventos não sejam tão destruidores? Uma forma de lhe desejar, e a todos, uma boa noite...?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Neymar virou meia...

O atacante "Neymar virou meia". Esta brincadeira foi provocada pela propaganda abaixo.



Se tivesse mudado de posição, Neymar seria agora meia-direita ou meia-esquerda? Ou as duas? A expressão "meia" permite a ambiguidade por ser redução tanto de meia-esquerda/direta, como de meia calça (não confundindo esta com a meia-calça, usada apenas pelas mulheres).

"Meia" remete ao adjetivo latino medius, indicando o que está no meio. Assim, no vestuário, temos a meia como peça que calça os pés e vai até o meio da perna, e, no futebol, os meias que jogam no meio-campo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O voucher dessa operação

Um amigo perguntou-me qual a origem da palavra voucher, bastante mencionada ultimamente, em razão da Operação Voucher, com que a Polícia Federal tem feito investigações no Ministério do Turismo.

O significado desse estrangeirismo aparece em nossos dicionários: "documento emitido por agência de viagem, etc., e enviado aos seus clientes, que comprova o pagamento antecipado de despesas, como reserva em hotéis, refeição, locação de automóvel, etc." (Aurélio), e "vale ou cheque que assegura um crédito para futuras despesas com mercadorias ou serviços" (Houaiss).

A etimologia vai mais longe. Chegaremos ao latim vocare ("chamar"), que precedeu o galo-românico *voticare ("chamar com insistência"), por volta do século VIII. No antigo francês (mais ou menos no século XIV), surgiu vocher ("chamar", "invocar"), que redundou no anglo-francês voucher. No final do século XVII, há registros da palavra usada como recibo que documentava transação comercial.

Somente agora, na década de 1940, a palavra passou a ser usada para designar documento cambiável por bens ou serviços. Forçando a relação etimológica, digamos que o voucher é um "chamador", chama para si o valor com o qual se pagará algo.

Forçando ainda mais, a Operação Voucher da PF é um "documento" com o qual os possíveis criminosos já têm a sua viagem para a cadeia garantida, com algemas seguras...

domingo, 14 de agosto de 2011

A faxina presidencial

A imagem de Dilma Rousseff como faxineira do Planalto, limpando os ministérios, ganhou textos e charges na mídia recente. Hoje mesmo, nas revistas CartaCapital e Veja, no Estadão e na Folha, li várias vezes "faxina" associada à presidenta. De onde vem a palavra?

Provém do italiano fascina ("feixe de lenha", "braçada de lenha"), remetendo ao latim fascis ("feixe", "molho", "fardo"). Quando alguém lá pelos séculos XII-XIII tinha de carregar feixes de lenha para limpar um terreno, enfrentava um trabalho duro. Uma das acepções para "faxina", hoje: unidade de peso para lenha, equivalente a 60 kg.

Foi essa dupla noção, de limpeza estafante, que mais tarde deu ao termo "faxina" sentido de tarefa braçal cansativa, especialmente nos ambientes militares.

Entre o século XIX e o XX, saltamos do encarregado de faxinar (fazer limpeza geral) na caserna ou no convés de um navio para a faxineira de uma casa. Ao soldado e ao grumete, corresponde, na vida civil, a mulher da classe inferior que realiza os serviços mais "baixos".

No atual contexto político, a palavra foi promovida. É à própria presidenta da República que se atribui agora o trabalho pesado de deixar o palácio um pouco mais limpo... ou um pouco menos sujo.

sábado, 16 de julho de 2011

E que os anjos digam "amém"!

Nova pergunta pelo formspring, desta vez sobre a origem da palavra "amém".
Interjeição religiosa, do hebraico amén ("assim seja", "em verdade"), que, segundo Isidoro de Sevilha, era intraduzível. Ou melhor, mesmo que fosse traduzida, e o foi para o grego e o latim, alcançando outros idiomas, Santo Isidoro, padroeiro dos etimólogos, afirmava que continuaria sendo palavra hebraica, em virtude de seu poder sagrado.

Em sua obra Etymologiarum, Isidoro lembra ainda que, numa cena do Apocalipse de São João, aparecem anjos dizendo "amém". Daí ser conveniente pronunciarmos essa palavra do mesmo modo que é ouvida no céu.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Há algo de chique no chiqueiro?

Faz alguns dias, perguntaram-me pelo formspring: "Professor, gostaria de saber de onde vem a palavra 'chiqueiro', no sentido de lugar onde se criam porcos... Obrigada!!!"

Do árabe shirkair, "cabana", chegando até nós por meio do castelhano chiquero. Esta é uma hipótese para designar a pequena habitação dos porcos. Já o chiqueirinho, ou cercadinho, é o móvel onde se colocam crianças pequenas. Nada a ver com pocilga, e existem chiqueirinhos bem chiques.

"Chique" é galicismo que já usávamos no final do século XIX. Mas chic, termo comum no mundo da moda, foi germanismo incorporado pelos franceses. Na Renânia e na Alsácia, usava-se a palavra schick, derivada do verbo schicken ("preparar", "pôr-se no caminho"). Uma pessoa chique está preparada, vestida com elegância, para sair. Por extensão, chique é tudo aquilo que se apresenta com requinte.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Adolescentes, adultos e adjacências

Um leitor do blog perguntou sobre a origem da palavra "adolescente" e um amigo, sobre as raízes de "adulto". As duas palavras têm parentesco entre si.
O verbo latino adolescere refere-se ao que cresce e amadurece. O adolescente está em processo de crescimento. Nada a ver com "doença", como alguns inventaram. Ao contrário. O termo latino carrega em si os verbos alere ("alimentar") e alescere ("começar a se alimentar"), em consonância com "aluno", ou seja, aquele que é alimentado.

O adulto é o adolescente que amadureceu. Que já adolesceu, no sentido de ter ultrapassado a fase de crescimento, em geral quando se chega aos 21 anos.

A partir da década de 1950, a palavra "adulto" começou a ser empregada em expressões como "literatura adulta" e "filme adulto", associadas a algo indecente ou pornográfico. O que é curioso, porque os maiores interessados nesse tipo de literatura e cinema são os adolescentes e não os que já amadureceram realmente.

sábado, 18 de junho de 2011

Psiu! Sigilos!

Os dois sigilos "técnicos", por assim dizer, são o profissional e o sacramental (do confessionário católico).
O sigilo profissional é dever ético que médicos, advogados e qualquer profissional tem de cumprir quando isso envolve a intimidade e a honra de outras pessoas. O sigilo confessional tem de ser vivido pelo padre que, ouvindo o que ouvir no sacramento da confissão, deve manter segredo. O famoso filme I confess, dirigido por Hitchcock, em que Montgomery Clift interpreta o papel do sacerdote, mostra a seriedade da questão.

Conforme explico no livro Palavras e origens, "sigilo" deriva do latim sigillum, "pequeno sinal". Uma carta devidamente lacrada, selada, sob sinete — sub sigillum —, não podia ser violada.

A atual discussão em torno do "sigilo eterno" sobre fatos da história brasileira nos faz perguntar que tipo de sigilo transforma a política em religião. Não será direito nosso saber os pecados cometidos contra o Brasil?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bolos, bolas e boleiros

Um amigo, leitor assíduo da coluna Boleiros do jornal Estado de S. Paulo, perguntou-me a origem da palavra em destaque.

A palavra "boleiro" tem vários significados ligados a bolas e bolos. Pode ser o fabricante de bolas, ou o comerciante de bolos. Pode ser o apanhador de bolas, o gandula, ou aquele que dá bolo (isto é, não vai a um compromisso). No jogo da roleta, é quem faz girar a bola.

"Bola" e "bolo" remetem ao latim bulla, em referência à bolha de ar que surge na superfície da água. Está em evidência a forma esférica. O bolo, em geral, tem esse feitio. A bolacha (o sufixo -acha mostra o pequeno tamanho da bola) é um biscoito de forma achatada, arredondada. Bolacha também designa aquele disco de papelão que serve como base para os copos de chope em bares e restaurantes, e um meio prático de registrar quantos foram consumidos pelo cliente.

Uma outra curiosidade: o verbo "bolar", no sentido de "planejar", "idealizar", "conceber", indica que a cabeça (essa bola que temos sobre os ombros) trabalhou.

sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos Namorados: o amor que se enamora

No Dia dos Namorados, comemora-se o amor que se enamora. A palavra "namorado" equivale a "enamorado", que está formada pelo prefixo en (proveniente do in- latino), da palavra "amor" e do sufixo "ado" (do latim -atu, indicando o particípio passado).

O prefixo in expressava aproximação e/ou movimento para dentro e/ou transformação. O que poderia sugerir, no caso do "enamorado", três relações com o amor:
1) aproximação: como em "encostado" e "entestado", o en-amorado chega bem perto do amor; 2) movimento para dentro: como em "embarcado" e "encaixotado", o en-amorado entra no âmbito do amor; 3) transformação: como em "enriquecido" e "enxaropado", o en-amorado transfigura-se no próprio amor.

terça-feira, 7 de junho de 2011

— Vixe!

Um amigo nordestino, depois de ler sobre a etimologia de "chê" e "uai", perguntou-me sobre interjeição típica de sua terra: — Vixe!

Que pode ser também "ige" e "ixe", exprimindo espanto e surpresa, ou ironia, ou aborrecimento e menosprezo. No Grande Dicionário Sacconi, lemos:

Ixe (interj.) - Indica princ. admiração, surpresa, desprezo e ironia: que fogo é aquele? Ixe! é um incêndio!

"Vixe!" é forma popular que altera "Virgem!", que é forma reduzida da católica exclamação "Virgem Maria!". A palavra "virgem" remete a duas palavras latinas, virgo ("menina", "mulher nova", "ninfa") e virga ("ramo flexível", "ramo novo").

Anunciação, de fra Angelico (1387-1455)
A ideia da virgindade está ligada à força da natureza que acaba de vir à tona, à sua condição verdejante. Há o verbo latino vireo, "estar verde" e "ser vigoroso". Uma virens puella era uma menina "verde", ou melhor, uma mulher jovem e vigorosa, na flor da idade.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Etimoludia

Na edição de maio da revista Caros amigos, Marcos Bagno escreveu sobre etimologia. Afirmando que etimologia não é uma brincadeira qualquer. E que precisamos tomar cuidado com as informações pseudoetimológicas que pululam por aí, como dizer que "aluno" significa "sem luz" ou que "adolescente" tem a ver com "doença".

Ele está coberto de razão. E para denunciar as falsas origens etimológicas criou um termo: a "etimoludia". Em cuja formação temos a presença de étymon (do grego, "verdadeiro", "real", "certo") e de ludus (do latim, "jogo", "divertimento", "zombaria").

A etimoludia seria o exercício frívolo ou trapaceiro de quem não respeita o verdadeiro estudo da verdadeira origem das palavras.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Hora do espanto

Um leitor pelo Formspring perguntou-me a origem da palavra "espanto".

Antenor Nascentes refere-se ao verbo *expaentare (latim vulgar), com base em expavere ("ter muito medo", "assustar-se"). Há um outro verbo latino implícito, pavere ("tremer de medo", "estar possuído de pavor").

Criação do publicitário
e ilustrador Silmar Ribeiro
O espantalho é aquele que apavora. Sua função: gerar medo nas aves predadoras. O boneco representa o homem que afugenta e espanta o indesejável.

sábado, 28 de maio de 2011

— Uai!

Carmen Souza Ennes, leitora deste blog, pergunta qual a origem da palavra "uai".

Essa interjeição, marca registrada do falar em Minas Gerais, é muito rica. Exprime admiração, impaciência, surpresa, pasmo, susto e até terror. Pode ser usada também para reforçar mensagem, manifestando estranhamento com a dúvida do outro: "Eu já não disse que está tudo bem, uai!"

Há pelo menos duas explicações fantasiosas.

Uma delas atribui aos Inconfidentes Mineiros a sigla UAI ("União, Amor e Independência"), senha do grupo. Com o tempo a expressão teria se disseminado sem referência ao episódio histórico.

Outra explicação, falsa mas inspiradora, associa a interjeição ao inglês why. Os mineiros teriam adotado e incorporado a palavra do inglês, ampliando-lhe o sentido.
O mais provável, porém, é que "uai" remeta à interjeição latina vae ("ai!", "ah!"), como em "vae victis", "ai dos vencidos!".

sábado, 21 de maio de 2011

Impostos e imposturas

Recentemente, meu amigo Elie perguntou-me se "imposto" e "impostor" têm a mesma raiz.

Elie, não posso lhe sonegar essa resposta! Carlos Drummond de Andrade, recorrendo a uma brincadeira tautológica, dizia que o imposto se chama imposto porque é imposto...

De fato, existe um parentesco entre as duas palavras. O pai de ambos é o verbo latino imponere, "impor". No caso dos impostos, são cobrados como algo obrigatório e quem os cobra exerce uma força sobre nós. E quanto ao impostor, é aquele que engana, impondo uma mentira como se verdade fosse.
Se um Estado não utiliza os impostos corretamente, comete uma impostura. E é compreensível que os contribuintes se sintam ludibriados.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Autópsia etimológica

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Está nas bancas um novo número especial da Revista Língua Portuguesa sobre o instigante e interminável tema da etimologia. Participo desta edição com dois artigos. Um deles se detém na história de palavras ligadas à vida familiar: "pai", "mãe", "marido", "esposa", "irmão", "avô"...

O outro é sobre a origem de palavras relacionadas ao corpo humano: "dedo", "nariz", "pescoço", ombro", "joelho", "pé", "tornozelo"...

Uma verdadeira autópsia etimológica. E o competente editor, Edgard Murano, orientou a diagramação bacana, distribuindo ao lado de um corpo humano as palavras e suas origens.

Na mesma edição, artigos excelentes de Jean Lauand, Mário Eduardo Viaro, Luiz Costa Pereira Jr. e Deonísio da Silva.

sábado, 7 de maio de 2011

— Ché!

Meu amigo, o ilustre professor João Paulo de Oliveira, lançou-me um desafio etimológico:

"Caríssimo amigo Prof. Gabriel Perissé, bom dia! Solicito seus valiosos préstimos no sentido de esclarecer a origem da palavra 'ché'. Será que está vinculada à expressão regionalista meridional 'tché'? Eu a utilizo quando quero expressar ironia ou desejo deixar patente que pode haver outros sentidos para o que escrevi... Está correto? Antecipadamente agradeço!"

Meu prezado João Paulo, essa interjeição expressa dúvida, surpresa, mofa, zombaria. Tem a ver com a interjeição "chê", com o "ê" fechado, típica da fala do sulista brasileiro, com duas funções básicas: chamar alguém ou indicar admiração, assombro.

O "chê" (pronuncia-se "tchê"), segundo o etimólogo J. Corominas, provém do antigo castelhano ce, que seria, por sua vez, derivação de uma possível forma onomatopaica "tsss", ou "sss", com o intuito de chamar a atenção de alguém ou chamar animais.

Não é a única hipótese. Uma outra sugere que viria do te (latim, acusativo de tu), passando pelo galaico. Há quem afirme, como o linguista uruguaio José Pedro Roma, que viria do guarani che, "meu", em chamamentos como che amigo, che coronel, che Juanche Guevara...

domingo, 1 de maio de 2011

A etimologia veio trabalhar

No Dia do Trabalhador (outros preferem Dia do Trabalho), a etimologia acordou cedo e, mesmo sendo feriado, e feriado num domingo, veio trabalhar.

Veio trabalhar com gosto, lembrando que já estão superados os dias do verbo *tripaliare, do latim vulgar, com o sentido de "torturar", "fazer sofrer". Esse verbo, por sua vez, procede de tripalium, instrumento romano de tortura empregado contra quem não cumpria seus deveres. Que instrumento era esse?

Tripalium remete provavelmente ao adjetivo tripalis: "sustentado por três (tria) estacas (palus, 'estaca')". O supliciado era atado a esse tripé. Na realidade, quem trabalhava mesmo era o torturador, e não a vítima. A ele cabia o trabalho sujo. O que nos faz pensar em alguns chefes que sofrem ao cumprirem sua amarga missão...